Trombofilia – causas, sintomas tratamentos


As trombofilias são especificadas por favorecerem modificações na coagulação sanguínea que resultam em um maior risco para trombose. A trombofilia pode ser segmentada em dois grupos: as Adquiridas e as Hereditárias. No grupo das trombofilias adquiridas destaca-se a síndrome antifosfolípide.

Na gestação existem maiores possibilidades de uma mulher desenvolver a trombofilia. Os motivos não são todos conhecidos, mas sabe-se que o motivo genético da doença é uma delas. Não devemos nos esquecer que entre as alterações do organismo da futura mamãe, há uma grande tendência de hipercoagulabilidade natural. Isso é necessário para assegurar que depois do parto, a contração uterina auxilia a encerrar a hemorragia que ocorre depois da saída da placenta. De outra maneira, as mulheres morreriam depois da dar à luz.

A trombofilia é um problema perigoso de saúde e necessita ser tratada rapidamente. Se esquecido, pode trazer sérios problemas para a mãe e até provocar a morte do bebê. O risco é que os coágulos obstruam os vasos sanguíneos, provocando o entupimento das veias dos pulmões, coração e cérebro materno, como também obstruindo a circulação na placenta.


Quando duvidar de trombofilia?

A suspeita da acontecimento de trombofilia é principalmente clínica, devendo ser questionada quando acontecer uma das seguintes situações:

-trombose em indivíduos abaixo de 50 anos,
-história familiar de trombose,
-trombose recorrente,
-trombose em locais pouco comuns,
-associação de trombose venosa e arterial,
-tromboflebite migratória,
-púrpura fulminante,
-resistência a heparina,
-tromboembolismo espontâneo (sem associação a fatores desencadeantes como imobilização, cirurgia, gestação ou estase por viagem prolongada).
trombofilia 1Como se especificar as trombofilias?

As trombofilias são especificadas de acordo com a etiopatogenia (hereditárias ou adquiridas) e de acordo com a deficiência ou modificação quantitativa ou qualitativa que fornece a tendência a trombose.

Trombofilias hereditárias

-Deficiência funcional ou quantitativa de antitrombina
-Deficiência de proteína C
-Deficiência de proteína S
-Resistência a proteína C ativada
-Mutação fator V Leiden
-Mutação da protrombina 20210A
-Hiper-homocisteinemia (MTHRF)
-Elevação dos fatores VIII, IX, X e XI
-Disfibrinogenemia
-Grupo sanguíneo O versus não-O

Trombofilias adquiridas

-Doenças mieloproliferativas
-Hemoglobinúria paroxística noturna
-Síndrome nefrótica
-Doenças inflamatórias e colagenoses
-Neoplasia ou quimioterapia
-Hiper-homocisteinemia
-Síndrome do anticorpo antifosfolipídico
-Insuficiência hepática

Diagnóstico

Logo depois da dúvida clínica é absolutamente fundamental a comprovação laboratorial. Em regra, isso faz-se com um conjunto de testes que medem a concentração das proteínas em fatores (doseamento plasmático da proteína C, proteína S, antitrombina III, homocisteína), e a existência de mutações no factor V Leiden, o que requer um teste genético. Estes testes são relevantes, caros e precisam de laboratórios de coagulação bem apetrechados. Como tal, não tem que ser pedidos indiscriminadamente.
trombofilia 2A pergunta fundamental é: quando é provável, em um ponto de vista clínico, pedir estes exames?

Como estas doenças da coagulação só atualmente foram detectadas, ainda não há critérios “standard” mas algumas recomendações se perfilam: Existentes de vários fenômenos tromboembólicos em uma família,particularmente quando afetam pessoas relativamente jovens (abaixo dos 50 anos); – Localização atípica e pouco seguida de certas tromboses (e.g., tromboses de veias do leito esplâncnico, veias supra hepáticas, veias renais, seios venosos cerebrais); – Tromboembolismo na ausência dos clássicos factores de risco.

Trombofilia e gravidez

A trombofilia é relacionadas a problemas na gestação deve ser assintomática, o que complica o diagnóstico. Este hábito de ser feito quando há antecedência familiar ou abortos repetidos. A doença não é identificada em exames de sangue corriqueiros, somente em exclusivos. No período da gestação já ocorre naturalmente um estado de “hipercoagulabilidade” do sangue materno para ajudar na contração uterina e no comando da hemorragia pós-parto.

É por isso que várias mulheres portadoras de trombofilia descobrem a doença depois de alguma complicação na gravidez, pois há uma maior chance de fornecer trombos que podem obstruir vasos da placenta, provocando abortos precoces de repetição, óbito fetal, descolamento prematuro de placenta, eclâmpsia precoce, entre outros. Agora, vale lembrar que não são todas as paciente com trombofilia que irão desenvolver dificuldades na gravidez, isso acontece em apenas 0,5 a 4% dos casos.

Sempre que uma paciente chegar para uma consulta com um mal passado obstétrico, temos que pensar em trombofilia. Aquelas com antecedentes familiares ou história de trombose utilizando anticoncepcional, inclusive devem ser pesquisadas.

Trombofilia, parto e amamentação

A trombofilia não é uma recomendação absoluta de parto cesárea, portanto em algumas situações pode-se aconselhar a resolução da gravidez assim que se estabeleça maturidade fetal, afim de se prevenir dificuldades do final da gestação como o óbito fetal repentino. Medicações para acelerar a maturidade pulmonar do bebê, inclusive podem ser usados. O tratamento poderá ser mantido também no período pós-parto para evitar a trombose materna. A amamentação poderá ser mantida e incentivada.

Tratamento

Efetuado o diagnóstico (através de uma complexa investigação laboratorial), o tratamento deverá ser começado para evitar as dificuldades. Medicações como o AAS (ácido acetilsalicílico), heparina e suplementação de cálcio serão consumidos para controlar a coagulação e evitar a formação de trombos. A boa notícia é que com o tratamento indicado, as chances de sucesso são elevadas.


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