Como tratar Anemia na criança


A anemia pode ser definida como a redução na quantidade de hemoglobina no sangue circulante a níveis do valor mínimo considerado normal, levando-se em consideração a idade e o sexo do paciente. A hemoglobina é a proteína encontrada nas hemácias encarregadas pelo transporte do oxigênio captado pelos pulmões até os diversos tecidos do corpo.

Tratando a Anemia em crianças

Para os desconhecedores, anemia é palidez. Por consequência, toda criança que denota pele descorada seria anêmica. Sabe que o descoramento da pele e das mucosas é um dos sinais da anemia. Porém, é necessário levar em consideração que a cor da pele resulta em grande parte da sua espessura e da quantidade de melanina nela presente, o que quer dizer que depende dos fatores genéticos e climáticos. Em locais de clima frio, onde o sol aparece menos, a pele torna-se mais fina, para que o corpo possa absorver melhor os raios solares. As pessoas apresentam pele com tonalidade rosada, pois os vasos sanguíneos, de cor vermelha, ficam muito próximos à superfície. Nos países quentes, a pele se torna mais espessa para proteger o corpo do excesso de exposição ao sol, obtendo uma tonalidade mais pálida.

O exame da boca, da conjuntiva etc, é mais pertinente para se procurar sinais clínicos de anemia. A tonalidade do tecido que se vê, por transparência, sob as unhas também dá boas informações.

Anemia na criança

Causas de anemia

A anemia pode ter várias causas, que podem estra relacionadas à produção de hemácias e de hemoglobina quanto à perda de hemácias provocada por destruição ou por sangramento. A anemia pode se mostrar como caso isolado ou como parte do quadro clínico de diversas doenças, tanto hematológicas quantos as que envolvem outros órgãos e sistemas.

As anemias por atenuação na produção de hemácias pela medula óssea podem ocasionar da carência de substâncias necessárias para a fabricação desses corpúsculos e da hemoglobina. Doenças da própria medula óssea ou de outros órgãos que interfiram com a função medular também podem ser causa de anemia por defeito de produção.

As anemias por destruição hemácias, chamadas de hemolíticas, podem ser genéticas, como por exemplo anemia a destruição por anticorpos. Pacientes portadores de anemia hemolítica normalmente apresentam icterícia, que é a coloração amarelada da pele e das mucosas. A icterícia se deve a impregnação dos tecidos pela bilirrubina. A bilirrubina é um pigmento amarelo, fruto de degradação da hemoglobina contida nas hemácias. Quando há destruição exagerada de hemácias tende a haver acúmulo de bilirrubina no sangue.

Anemia na criança

A causa mais frequente de anemia é a insuficiência de ferro. O ferro é um fator essencial para a síntese de hemoglobina. Na criança, normalmente essa insuficiência é provocada mais por erros alimentares, ou seja, dietas desapropriadas em relação à oferta de ferro. A necessidade de ferro do organismo é maior durante as fases da infância e da adolescência e também durante a gestação, onde a gestante tem que suprir as necessidades do feto e às do seu próprio organismo. Nessas situações a quantidade e qualidade de alimentos ricos em ferro oferecidos na dieta é mais crítica. Quando a oferta não atende à demanda aumentada surge a condição de insuficiência que provoca a anemia ferropriva. Em crianças saudáveis, o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida consegue atender com eficiência às necessidades e ferro do bebê. A partir do sexto mês a amamentação deve ser mantida, no entanto, é preciso a introdução de outros alimentos. A partir desta fase é importante que as carnes sejam incluídas na dieta da criança. Pois as carnes são consideradas a principal fonte de ferro da dieta, não apenas pela quantidade de ferro que nelas contém, mas também pela facilidade maior com que o organismo consegue absorver este ferro. Alimentos como ovo, leite, o feijão e as folhas verde-escuras, como espinafre, a couve e a bertalha, também são fonte de ferro. Mesmo com uma alimentação rica em ferro, todas a crianças de seis meses até dois anos devem ser medicadas com suplementação de ferro.

Além das falhas alimentares, as perdasde sangue e os distúrbios de absorção intestinal também podem ser causas de carência de ferro. As parasitores intestinais podem causar dificuldades de absorção intestinal de nutrientes. Alguns desses parasitas também causam sangramento do tudo digestivo, levando à perda de ferro e consequente anemia. Dois tipos de anemia de causa genética serão mencionados a seguir, devido a sua frequência:

Anemia falciforme

É uma anemia hereditária, causada pela presença de uma hemoglobina anormal designada Hemoglobina S, mais normalmente observada em indivíduos de raça negra. As hemácias que contêm esta hemoglobina tendem a se deformar e assumir forma de foice. As hemácias em forma de foice tendem a ser retiradas da circulação e destruídas.

Os portadores desta doença apresentam anemia crônica do tipo hemolítica, icterícia e crises de dor causadas pela obstrução de pequenos vasos sanguíneos pelas hemácias de forma de foice. O diagnóstico é feito por exames de sangue que detectam a presença de Hemoglobina S, inclusive na triagem neonatal que é o famoso teste do pezinho.

Esses pacientes deverão ser acompanhados por equipes multidisciplinares que incluam profissionais das áreas de pediatria, hematologia, psicologia, entre outros. O tratamento inclui uso de ácido fólico, terapia profilática com antibióticos desde o diagnóstico, vacinação especial, além de vacinas do calendário habitual e transfusão de hemácias.

Anemia na criança

Talassemias

Este tipo de anemia genética é mais observado em descendentes de populações dos países mediterrâneos (italianos, gregos, turcos, libaneses). Também é conhecida como anemia de Cooley ou anemia do Mediterrâneo. É um tipo de anemia hereditária envolvendo defeito na produção de uma porção de hemoglobina denominada globina.

Os pacientes apresentam anemia hemolítica crônica, icterícia e aumento de volume do fígado e do baço. O diagnóstico é confirmado por exames de sangue. As manifestações da doença podem ser mais ou menos intensas de acordo com o tipo de defeito herdado. O tratamento varia de acordo com a forma clínica da doença.

Tratamento da anemia

O tratamento da anemia depende diretamente da causa. Portanto, antes de tomar alguma atitude é necessário em cada caso, esclarecer quais os mecanismos responsáveis pelo surgimento da anemia. Só assim o melhor tratamento para cada paciente poderá ser estabelecido.

Na anemia ferropriva o tratamento consiste na reposição de ferro. Nestes casos é obrigatório investigar a causa da carência, erro alimentar, sangramento, má absorção, que deverá ser corrigida. O ferro medicamentoso deverá ser dado preferencialmente entre as refeições, para que a absorção seja facilitada pela acidez gástrica e para que não haja formação de compostos insolúveis como outros alimentos. A vitamina C facilita a absorção do ferro.


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